sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Os campónios do país de gales

Ora foda-se. Apanham-me a ouvir uma merdoca meio indiezita, uma cena entre broken social scene e praí motion city soundtrack, com um toque british nem que seja à pala do sotaque. Os los campesinos são galeses e misturam-se entre um rock popeiro meio solarengo, com indie à mistura, mais riffs e refrões super cola 3 que entram para não mais saírem. Estiveram cá no alive deste ano e ficaram conhecidos por terem sido a alavanca musical do anúncio de verão da superbock (death to los campesinos! a tocar enquanto aquele autocarro manhoso andava por aí).

Qual é a diferença destes tipos para aquelas merdas indie pop chatas comó caralho que por aí pululam e são sempre rotuladas como de um brilhantismo ofuscante? OK animal collective é fofo e tal, mas o que não faltam são bandas pretensiosas cà bruta a falar sobre sorrisos e rouxinóis ou merdas parecidas.

Onde os los campesinos acertam é precisamente na sua despretensiosidade e no facto de se preocuparem sobretudo em divertir. Por outro lado conseguem ter influências bem boas que os coloca numa posição privilegiada. Não são claramente a melhor banda do mundo, mas são aquele tipo de som simples, bem feito, e contagiante. Aquele tipo de som primaveril para se ouvir quando o sol começa já a brilhar. Portanto ainda falta tempo comá merda para que eu os possa apreciar na estação correcta.

"Hold on now youngster" e "We are beautiful, we are doomed" são de facto exemplos perfeitos de como se faz bom rock indiezado com muita pop à mistura, sem se querer parecer o fernando pessoa de óculo. O problema está sempre em querer ser-se mais daquilo que se é. honestamente não sei se será possível para estes tipos conseguirem afastar-se muito deste registo, sem foderem a cabeça a entrar num caminho mais pretensioso, mas por enquanto estes temas de consumo agradável e em certa medida, bastante imediato, são um tónico excelente para qualquer dia mau ou bom.


e cá estão exemplos disso:







E acho que esclareci a coisa com estes dois temas. Vão masé ouvir os gajos e deixem de ler as minhas patacoadas parvas.

sábado, 31 de outubro de 2009

quando a "dor" é diferente

I hurt myself today
To see if i still feel
I focus on the pain
The only thing that's real
The needle tears a hole
The old familiar string
Try to kill it all away
But i remember everything

What i've i become
My sweetest friend
Everyone i know
Goes away in the end

And you could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt

I wear this crown of shit
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I cannot repair
Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here

What have I become
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end
And you could have it all
My empire of dirt
I will let you down
I will make you hurt

If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way


Trent reznor é alma amargurada pelas incidências da vida. Ou pelo menos ele diz que sim. Gosta de se questionar em relação ao que vê, criticando o que lhe parece ter falhas, mas ao mesmo tempo assumindo estados de consciência através da sua acção humana. E também há por lá crítica social e política metida à cara podre. e claro religião, um tema que reznor acha graça igualmente. E os NIN são, pois claro, a maior expressão de um homem cheio de demónios interiores e ao mesmo tempo consciente do mundo onde vive.

È fácil bater nele. Por vezes a sua auto crítica quase alcança ares de vitimização,e isso desgosta a muita gente. embora eu honestamente não perceba qual é o problema de simplesmente criticar a própria vida, cosnciência e condição humanas. Há de facto uma data de canções que têm muito disto. Lembro-me assim meio à parva de "everyday is exactly the same", "we're in this together", ou "something i can ever have".

e o "hurt" pois claro. Hurt é uma das músicas mais emblemáticas de NIN e que honestamente é o retrato perfeito do peixe que fui escrevendo: a condição do homem, a sua vontade em se sentir vivo, a sua consciência em como está no meio do nada. Isto é o que interpreto de hurt. A dor de reznor é a dor de alguém que se sente perdido, em certa medida despeitado, num toar de consciência que pouco lhe permite sobressaír enquanto indivíduo. e o final o "i would find a way" mostra, na minha ideia, um certo conformismo com aquilo que lhe sucedeu.




Obviamente que é somente a leitura de um gajo meio esquisito da cabeça. "Hurt" é um dos temas-ícone dos NIN. a verdade é essa. E quando johnny cash apareceu com a sua versão jamais eu pensaria que conseguisse soar tão diferente do original.




Mas a dor é diferente. Se reznor está conformado, perdido,e julga pouco poder fazer para reparar todos os seus erros , cash tem uma voz de total condenação. Não é uma questão de conformismo, mas sim de morte. Cash não tem tempo sequer para poder evitar esse sentimento: é-lhe impingido. Está conformado sim, mas simplesmente porque os seus dias estão no fim. E aqui o "if i could start again" soa muito mais a uma manifestação de vontade, mas ao mesmo tempo de esmorecimento: ele pensa que poderia corrigir seus erros se tivesse tempo para isso. A tomada de consciência chegou-lhe na morte, numa espécie de testamento musical. Reznor mostrou quem era com 30 e tal anos: cash só aos 70 é que decide, de uma vez, lamentar os erros do passado, falar daquilo que julgara ter feito mal, e que tinha deixado de sentir. Cash parece já ter sentido alguma coisa, vivido, experienciado. Reznor parece mero espectador de uma vida que lhe corre com ele a vê-la passar.


As dores são diferentes. Mas o genial em cash é que ele consegue imprimir esse sentimento na perfeição com um tema que nem sequer é dele. e, diga-se de passagem, um tema com uma estrutura bastante vincada, que tem uma mensagem muito específica. conseguir mudar a mensagem de uma música sobretudo através da voz é uma coisa extraordinária. Cash e reznor não serão assim tão diferentes quanto a sua música parece fazer crer: apenas sofrem de maneiras diferentes. E "hurt" foi para cash o mesmo que "requiem" foi para mozart: um testamento musical para apreciação de todos.


e é esta merda basicamente.

sábado, 10 de outubro de 2009

a vida e o seu percurso com buracos

Ponto prévio: sou um inútil. Isto é um facto. Não faço muito da vida, ainda estou na faculdade com 24 anos(tendo em conta que lá entrei aos 18) e por lá ainda vou continuar, a minha mãe banca-me as coisas todas e nunca trabalhei propriamente na vida. Não é que não tenha feito tipo cenas que já fiz umas quantas, e ganhar uns guitos aqui e acolá, mas ganhar guita tendo nem que seja um recibo verde nunca. Mas já devia fazer parte da população activa e não o faço. E honestamente eu não me preocupo grandemente com isso. Mas já devia pois claro.

Adiante que não sou o único. a verdade é que depois de ter sido um tipo pouco dado a baldas, droga ou álcool, a faculdade teve o condão de me fazer aperceber que estava a ser parvo. e confortável lá entrei e por lá continuo. Porque gosto das pessoas, do ambiente, porque me sinto bem, e também porque é cómodo. E como aquele sítio foi o primeiro sítio do mundo onde me senti cómodo, torna-se muito complicado para mim sair dali. Felizmente ainda vou ter mais dois anos. Mas sei que agora vou ter de me aplicar mais para ver se acabo o mestrado depressinha.

A questão é que estou a ser o idiota do costume que pouco faz. Até aí tudo bem porque conheço muita gente da minha geração que não é idiota e pela faculdade continua sem grandes intenções de lá sair. A questão prende-se com quem conheço e já saíu. Mais: prende-se com as pessoas que um gajo conheceu em puto e que agora vê pela porra de um ecrã.Literalmente. e que ainda por cima tem a blogoesfera para falar disto. Esta cena da net e das tecnologias de informação e o caraças permite a um gajo falar de tudo: até da grande paixão que teve quando ainda era mais puto e ainda mais parvo que hoje. Falo pois claro do meu sexto ano e praí sétimo, e talvez oitavo e nono. A miúda era esta:





Sim, ganhou o casting. sim agora um gajo pode vê-la na televisão todos os dias. è estranho. Lembro-me dela quando os pelos bigodais me nasciam timidamente e a porra da voz engrossava, e chegava sempre à escola com os dentes sujos e o cabelo desalinhado, despenteado, todo turvo. E depois via a loirinha gira, com olhos castanhos, com as amigas numa zona diferente da minha, numa das turmas dos betinhos(que a minha felizmente sempre teve mais "terrorista" como rótulo. E começava a sentir tremeliques parvos e assim. Até me lembro de achar que tinha sido num sonho qualquer que tinha descoberto o nome dela...enfim era puto parvo. Claro que o que acontece nestes casos é que a rapariga se mete com outro tipo qualquer e tipos como eu ficam a arder. Exacto. Pois. Isso,isso.

O curioso(ou nem por isso) é que hoje em dia as únicas diferenças são o eu ter engrossado a voz e os pêlos terem crescido.Agora sou um tipo com barba frondosa, voz à macho, que cheira mal da boca e que tem o cabelo em que parece que um furacão por aqui passou.e que continua a ser um puto parvo. Ah e o facto da rapariga não estar a uns 300 metros de mim junto a um recanto para onde ia a turma dela, também é uma diferença pois claro. Agora só a consigo ver pelas ondas manhosas que dão som e imagem a uma caixa que um tipo qualquer aos anos chamou de televisão. Há coisa mais anónima que isso? Se naquela altura ela mal sabia que eu existia, agora...não sabe.

Também não é trágico. Isto já aconteceu aos anos e eu já recuperei...sim recuperei. Curiosamente o padrão de há 12 anos continua a repetir-se, mas com os tombos que fui dando, este já está um bocadinho mais arredado da memória. Mas com a revelação televisiva tudo aquilo que tinha engavetado voltou a recordação um bocado mais viva.Até porque agora posso voltar a vê-la todos os dias, coisa que já não acontecia quando ela foi para vila do conde, salvo erro para fazer o secundário.Embora na prática seja a mesma coisa.

E é isto. Puto cromo da bola continua na mesma e a babe gira vai ter sucesso na vida. Não há espiga. Hão de levar na mesma com as minhas parvas e toscas lamentações, e com estes acasos estranhos que a vida dá. Afinal devem haver poucos gajos que podem dizer que uma das suas paixões da vida agora apresenta programas de televisão.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Outra vez política foda-se. e movimentos meio cromos.



Quando um gajo não tem mais nada para fazer mete-se em merdas de bussolas eleitorais, e a ver vídeos de movimentos parvos. Sim, reduzir alguns partidos a "movimentos parvos" pode ser também parvo, mas estou-me cagando como diria um antigo presidente do meu clube. Afinal um gajo duma cena verde com um "e" que passa o tempo todo a falar em esperança e optimismo sem meter merdas concretas, e outro com umas estrelas azuis e nome de mm's que diz que as prisões dos EUA estão cheias porque o sistema penal deles é bom (e é para relembrar que "pena de morte" faz parte do dicionário de alguns estados), não me metem a dizer outra coisa.

Eu desde que posso votar sempre meti a peida para meter lá a cruz. Já votei ora umas... 6 vezes (2 europeias, umas autárquicas, outras legislativas, umas presidenciais e o referendo do aborto - acho que é isto).Sempre votei em partidos nunca branco ou nulo. E a mim faz-me confusão este tipo de movimentos oportunistas. O mms parece-me apostar numa política de liberalização económica, assumindo o individualismo de cada um (a palavra "mérito" no nome quer dizer muito) à medida daquilo que são os EUA. E quando o líder de um partido veio dos EUA, estudou nos EUA, e manda postas relacionadas com o sistema dos states que é óptimo, onde não há reformas prós velhotes, segurança social, pensões de invalidez, onde se preconiza a privatização das universidades que têm muito mais nome que as públicas, onde existe pena de morte e perpétua já diz muito. E uma pessoa ser despejada por ficar 3(!) dias sem pagar a renda é anedota digna dos malucos do riso: pouco refinada, parva e sem graça nenhuma.



Já o mep é ainda mais parvo. O mms tem propostas de merda mas elas existem: o movimento esperança portugal não tem nada. A ouvir-se o seu líder o homem fala em "esperança" em "optimismo" em "confiança", parece o sócrates a falar mas com ainda menos conteúdo. E quando um vídeo no youtube relata os abraços fortes a laurinda alves enquanto justificação para extrema confiança na candidata,então nem vale a pena dizer mais nada. Se a Carolina patrocínio ou aquela bacana do ps mais novinha e jeitosa me derem uns abraços fortes, ou algo mais, até sou capaz de confiar nelas e votar no sócrates, por parece que isso chega.

Se o mms é uma espécie de "partido da liberalização económica portuguesa" o mep é o "partido do nada que vai buscar propostas aos outros". Só se entende o seu resultado europeu, que foi bem bom prós gajos, porque as pessoas ouvem meia dúzia de lugares comuns e vão na conversa. A fazer um partido daquele género até eu conseguia fazer. Está tudo farto disto e daquilo e vem o profeta do seilaonde dizer que salva isto tudo, que está muito optimista, que somos muita bons, mas não diz como vai fazer, porquê nem sequer o que raio vai fazer. epá votar no mep ou em branco parece-me o mesmo basicamente. Se calhar abstenção até estava melhor...E a história de ser o meio para ir buscar merdas aqui e ali, parece quando vamos a um restaurante de petiscos, comer umas 5 merdas diferentes, picamos aqui e ali, e depois ficamos com um sabor estranho na boca porque misturámos merdas à bruta. E acabamos por não apreciar nada devidamente. Dou ao mep o prémio "lata" por haver tomates de povo para fazer um movimento (pois partido não é com certeza) sem nada de jeito lá pelo meio.



Falei de dois podia falar no resto: mas estes parecem-me os mais parvos. Também nunca percebi o mpt, nem o partido humanista que mais parece um bloco de esquerda mas em laranja, nem o pnd que tem rótulo de "manuel monteiro ressabiado". Mesmo o bloco de esquerda me custa porque é fusão daquilo e daqueloutro misturado com mais alguma coisa. E se formos exigentes até a cduque nunca teve tomates ao longo da história para se candidatar enquanto partido comunista pura e simplesmente. E o mrpp que basicamente tem votos à pala do pcp nunca se candidatar sozinho. Ou do ps e do psd que estão de acordo em quase tudo - não vou lá muito na história do ps ser reformista e do psd querer deixar tudo quietinho: acho que as reformas do ps são aquelas que a terrível manela faria. Nem o pp que curtia ser mais pnr se o deixassem, mas o portas tem medo de ficar com um bigode esquisito junto a pessoas que dizem "homoxílio" e que viram na internet mas não sabem onde que a maioria dos homossexuais tem tendências pedófilas. sei lá há mais partidos? ainda me lembro do pous ou do pda mas um podia claramente virar foice e martelo e o outro restringir-se às ilhas. e acho estar tudo. Mandar bitaites é fixe mesmo quando baseados em generalizações. So what?

Em conclusão: vamos masé fazer chamadas anónimas pós tipos do mep que têm no seu site os números de móvel de cada candidato. Tipo entregas de pizzas ou o vai já chamar a tua filha. Assim sempre lhes dávamos que fazer caraças.


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

falar à parva





Há uma coisa que me dá alto prazer fazer: mandar bitaites à parva sentado no sofá. Ou a beber minis no bar novo da faculdade. è porreiro porque podemos dar um ar de interessados numa merda qualquer, de proactivos, de preocupados com o que nos rodeia, e ao mesmo tempo estamo-nos a cagar para tudo. O sofá e a esplanada são o maior instrumento de conforto e compensamo-lo dizendo meia dúzia de merdas que achamos calhar bem. Assim damos ares de gente preocupada, quando até nos estamos a baldar a uma aula e queremos é apanhar uma carraspana de caixão à cova.

Este parágrafo não vem em sentido nenhum. E noto é isso em mim, e em muito povo. a vontade em fazer alguma coisa é quase nula porque sabe bem como tudo estar com o rabo escarrapachado na esplanada a ver as babes passar e a beber mines ao mesmo tempo. Há melhor que isto? só me lembro de surf e gajas. No entanto dá sempre jeito perceber de alguma coisa. Nem que seja para estarmos na mó de cima em relação a alguma vertente social que até é importante. Política por exemplo: é fofo não mandar os clichés de baixo. Mas ao mesmo tempo chega-me bem meter a cruz no boletim e pronto. Nem é tanto por preguiça, mas sim por pouca vontade de intervencionismo directo.

Iniciativas: há 2 postas atrás falei nessas merdas todas da cultura e no que se podia fazer. Mas vou ser eu a fazê-las? Talvez um dia com sorte. Mas é fixe um gajo lembrar-se disso na cena do "lembro-me de bué merdas e isso quer dizer que até tenho um intelecto maior que o de uma galinha". E pronto. No fundo este próprio post está a ser feito na base de querer escrever alguma coisa, mas não ter nada para dizer. e portanto as patacoadas todas vão-se mandando à cara podre.

Mas é capaz de haver mais merdas. No fundo curtimos milhões mandar o bitaite. e o bitaite bem mandado é sempre fofo de ouvir e de ouvirmos nós mesmos a nossa parva oralidade. e é isto que sa foda.


Já agora puta de som o que meti no início. e esta malha de black crowes também é incrivelmente do catano.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

tipo política e merdas

Toda a gente adora bater nos políticos. que são um cocó, que não cumprem o que prometeram, que são todos iguais, que está tudo na mesma, que só querem tacho. Em relação ao último ponto até concordo que a maioria deles pensa assim. Em relação ao resto acho pelo menos parvo. Porquê? Porque são clichés puros e simples. Se eu concordo com o tacho é porque sei de algumas merdas dentro do sistema político. Mais relativos a juventudes partidárias é certo, mas nesses ambientes já se consegue perceber os exemplos que vêm de cima. Mas o resto é estúpido. Porque as pessoas votam sempre nos mesmos. E porque se não votam podem estar a dar a voz a um filho da puta de um salazar qualquer que se auto-intitule "salvador da pátria" e queira tomar conta do canto porque as pessoas cagam na política.

Claro que com mandatárias da juventude que dizem que pedem às empregadas que lhes tirem graínhas da fruta, em plena televisão, estamos mal. Mas também é verdade que se a babe não estivesse comprometida com o socas ninguém se ia lembrar disso. Aliás espanta-me até que a rapariga esteja no ps, eu que pensava que ela se metesse nos pp da vida. Adiante.

Pelo menos foi uma merda diferente. Quer dizer podia dar grande mensagem política. Mais que isso: acredito plenamente que Carolina Patrocínio age daquele modo por uma questão económica. Afinal os dentistas estão caros e a gente sabe que muitas verdes os caroços e as graínhas lixam os dentes, se mordemos aquela merda de maneira x ou y. Assim perde guita na empregada mas poupa em dentista. Inteligente. e aproveita e manda dizer ao socas que dá jeito os dentistas também poderem trabalhar em hospitais públicos e etc. Seria inteligente.

è o mesmo que se dizer que se gasta muita guita em campanha. 60 e tal milhões de euros não é nada quando temos obras parvas como a ponte vasco da gama. Ou o convento de mafra. Ou o mosteiro dos Jerónimos. Ou o padrão dos descobrimentos. Ou parvoíces históricas como a marcha do elefante do d.manuel ou o tratado de methuen. Afinal os políticos de agora estão a demonstrar que podem gastar tanto como antigamente. e uns 6 euros por pessoa não dá para grande coisa.Dá para alguns medicamentos dos velhotes, um saquinho pequeno de erva, uma refeição no mac. Uma refeição no mac? Foda-se está claro. Aquela refeição na merda da fast food não vai, para darmos guita aos partidos. Estão a querer que fiquemos mais magros. Se bem que um comuna dar guita ao pnr faz-me um bocado de confusão.

E depois desta merda toda, honestamente acho a nossa classe política bem merdosa. Mas as pessoas também são parvas porque preferem meter a cruz no costume, para não lhe chatearem a cabeça do que tentar perceber em quem votar. Dá trabalho querer saber o que se passa no nosso país. Mas se até em casa dá quanto mais aqui no canto à beira-mar. Mas é pena. Porque qualquer dia temos um primeiro ministro da beira, que guarda a guita debaixo do caixão, que teve praí 19 no curso superior, que tem salazar como último nome. Um filha da puta desse género.

domingo, 23 de agosto de 2009

Cultura - uma reflexão ou merda assim



Toda a gente se queixa muito que os portugueses têm pouca cultura. è verdade. Eu diria que a maioria da população do mundo é culturalmente pouco favorecida. Obviamente que estou a falar de cultura no sentido musical, cinematográfico, literário, e não enquanto algo que une as pessoas em torno daquilo que as identifica enquanto seres. Pois bem adiante.

As pessoas queixam-se muito, mas normalmente são os mesmos que acham que a cultura não deve chegar a todos para "preservar" as obras, para não as banalizar. No fundo para não terem o zé da esquina a gostar do mesmo que elas. Queixam-se que ele não distingue um dali dum rembrandt, mas se calhar também não queriam que isso acontecesse. Práfrente.

è verdade que me faz impressão haver gente que acha os transformers um grande filme e o mulholland drive uma seca do caraças. Que a celine dion é a melhor do mundo, e os neurosis uma merda. Que o metal é só berros e o hardcore é somente pornografia. Mas assim é o mundo e assim vai continuar a ser. Porquê? Porque a maioria das pessoas não tem dinheiro para pensar o contrário. E sobretudo não tem tempo nem disponibilidade. Trabalha 8,9,10 horas, chega a casa cansado(a) de um trabalho onde recebe mal. Tem paciência para ir ao cinema ver lynch ou goddard? Como? Vai ver o titanic porque ouviu falar bem nas revistas da moda e na televisão e é um pau.


E parece que toda a gente da cultura se esquece disso. Que as pessoas trabalham.

E não se vê nenhum esforço em levar a montanha a maomé. Em meter cultura em centros comerciais por exemplo(aqui realço o centro cultural na malaposta em odivelas que teve algumas encenações no odivelas parque), em falar com associações recreativas para fazer exposições, peças de teatro, concertos, declamações de poesia, sessões de cinema, em fazer protocolos até com supermercados para bilhetes mais baratos para qualquer coisa(tipo 20 euros em compras, 1 bilhete para o filme x no cineteatro da terra) entre tanta coisa que se pode fazer. Basta ter ideias.



E porque não se costuma fazer nada disto? Eu respondo. Porque somos egoístas. E porque não nos preocupamos.

Somos egoístas porque queremos ter tudo próximo de nós. Queremos ficar satisfeitos por conseguirmos apreciar aquela peça de música clássica, aquele concerto de sludge, aquele filme de um realizador underground da berra, aquela exposição de arte. e não me lixem, que fazemos todos isto. Queremos ver pouca gente nos sítios onde vamos. Porque temos medo da massificação, que os artistas que gostamos comecem a ficar mais mainstream, de ficarmos mais longe num concerto porque determinada banda teve mais fãs. Já não há sentimentos de pertença porque somos demais. e todos fazemos isto. e eu também. Não quero ter de ir a muitos concertos com mais de mil pessoas.

E não nos preocupamos porque se assim fosse os museus tinham outros horários. Porque assim ninguém podia dizer que pessoa "x" ou "y" está "estupidificada" e "alienada" ao sistema e não sabe reflectir sobre o que vê, isto do alto do nosso supremo intelecto.Porque está tudo confinado a uma cultura de massas, ao telelixo e ao futebol. No fundo, porque não podíamos manifestar a nossa superioridade sobre o resto da população. e é de reparar que o "nós" é evidentemente algo abstracto, pois eu gosto pouco de considerar alguém estupidificado. Isso não acredito que exista. Mas há gente que acredita. e isso é...hum estúpido.

Simplesmente a população não têm dinheiro nem paciência para a cultura. e isso só consegue ser mudado de uma maneira: levá-la às pessoas. Esperar que elas dêm de caras com o lobo antunes ou com o Manoel de Oliveira é idioticamente parvo. E é isto praí.