quinta-feira, 2 de setembro de 2010

DROGA NÃO DÁ SAÚDE NÃO (MAS É BEM BOA)



Sem mais delongas afirmo que breaking bad é série filhadaputa. Porquê? Foda-se. Antes de mais por ter uma história que deixa um gajo agarrado como carocho a cavalo. depois por ter um tema que se pode considerar polémico e ser uma série muitíssimo bem escrita. E finalmente por ter um porradão de personagens bastante complexas, cobertas numa data de camadas à shrek e cebola, que ora conseguuem estar num limiar de desespero arranjar irónicos cómicos reliefs e ainda inverterem os padrões sociais de modo a ficarmos divididos em relação à sua acção.

A premissa é simples e ao mesmo tempo prometedora: um tipo inteligente à bruta mas que foi meio enrabado por colegas de faculdade (bryan cranston, o pai dos putos em malcolm in the middle), acaba por se cingir a um trabalho enquanto profe de química para putos no secundário e nas horas vagas andar a lavar carros à viva força. Walt white é claramente um tipo com um qi acima da média e sabe-o, embora não faça grande espingarda para melhorar a situação. tem um filho com paralesia cerebral e uma mulher que se dedica à casa (plo menos não me lembro da skyler trabalhar no início da série). Para melhorar a coisa descobre que tem um tumor no pulmão, e que terá poucos meses de vida. Ora isso em vez de o condicionar ainda mais e fazê-lo vitimizar-se à bruta, liberta-o: num instante despede-se do trabalho na lavagem automática, e noutro está a pedir a um antigo aluno para o ajudar a montar um laboratório de droga. Objectivo? tentar fazer guita suficiente para que a família possa viver porreiramente quando ele for de lopes.

Jesse pinkman é daquele tipo de puto que nunca havia de dar grande coisa, e mais cedo ou mais tarde seria catado pela bófia à pala da andar a produzir metanfetamina. È walt que o safa de ser catado pelo cunhado (que trabalha nos narcóticos de albuquerque)e então pede-lhe para o ajudar a comercializar a droga que ele fará. E tornam-se sócios. E começa o busílis: o gajo tem cancro, é pai de familia parece ser boa pessoa, e vai ajudar uma data de viciados a viverem ainda pior. com intenções nobres sim: mas porra o gajo está a foder outras pessoas? e agora?

e o melhor é que este dilema moral inicial vai-se adensando ao longo da série: Walt white não é mau, mas se não conhecêssemos os seus motivos era um cabrão que devia ir preso. Mas o que ele faz é legítimo? E jesse que não é mau puto, mas é viciado e faz uns negócios pouco simpáticos, merece andar poraí à solta? e que acontece se a família de walt descobre a sua oculta actividade? No meio de tudo isto aparecem uns dealers (uns mais lixadotes que outros), cartéis, e um advogado o grandioso saul goodman claramente o personagem mais cómico a da série e que tem um site todo bonito e mais que funcional.



De facto o melhor de tudo é compreender como é que cada personagem reage às adversidades que surgem. e vermos as personagens a transformarem-se a realizarem acções que pareceriam inicialmente surpreendentes é o maior trunfo de breaking bad: a droga é fixe sim senhor, mas termos personagens complexos multidimensionais, faz torná-los mais humanos, mais reais. è uma série particularmente realista e que nos faz lembrar até à exaustão que ser-se humano é muito mais que respirar e possuir rotinas. Também nos surpreendemos a nós próprios. Também nos transformamos. e não me parece que até hoje alguma série que tenha visto, tenha retratado toda esta metamorfose de um modo tão cru, duro e...real. é cena do camandro breaking bad.



Vejam e percebam porque raio está a ser tão aclamada. Agora é esperar pela quarta temporada, embora ainda falte porradão de tempo...

domingo, 29 de agosto de 2010

the expendables: é tipo uma cena de matar povo à parva que obviamente se come.




Isto o ideal é ser curto e grosso: diálogos merdosos, actuações ídem, violência gratuita, sangue, facadas, mortes, tiros, explosões.

Resumindo: é boa pomada. não é filme brilhante e podia ainda ser melhor mas é exactamente aquilo que se espera dele. I mean, ninguém está à espera de recitais de shakespeare a meio do filme pois não? Stallone sabe bem o que queria oferecer, nós estamos à espera e cá vai disto. Falha por vezes em demorar demasiado tempo a carburar (quase metade do filme é a preparar um gajo para a cena séria) com metáforas óbvias -mas certeiras- e meter um vilão maroto na cara do grande eric roberts que nasceu para aquilo, para depois despejar os tiros e sangue e explosões que um gajo está à espera.

Meter stallonne, li, statham, lundgren, roberts, rourke (que no filme é um velho avozinho basicamente mas é na boa), willis num pequeno papel e ainda schwarzenegger num cameo - e o local onde estes dois últimos e stallonne se encontram é brilhante, bem com a conversa dos três- é meter ingredientes para uma panela ferver à bruta e se foder toda. E é mesmo isso que acontece, e que nós queremos que aconteça.

Nem vale a pena falar muito do filme. è aquilo que pretende ser e se fosse outra coisa qualquer ia ser uma cagada maior que a distância de unhais da serra até teixeira de baixo. mesmo se pudesse ter mais lata e tiros que se lixe: eu gostei e quero mais: venha a sequela. è divertimento puro e stallonne sabe mesmo filmar que também é bom que se saiba e um gajo se tenha consciência disso. E vale também pela homenagem que se faz aos filmes a sério de cachaporra dos oitenta, com manos que sabem bem da poda.

Vale sete ditadores sul americanos fantoche em dez.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

moves recentes: siga parlar à parva

INCEPTION de christopher nolan



Toda a gente sabe a premissa: quadrilha que rouba sonhos a povo, contratada por outro povo que quer micar as ideias presentes nesse subconsciente antes delas se transformarem em algo palpável, é contratada para implantar uma ideia noutra pessoa a troco de guita e idoneidade para o manda-chuva dos gajos. Chega?

Inception é uma película que funciona como um relógio: tudo, mas mesmo tudo está colocadinho na gaveta certa, no local correcto para que toda a narrativa funcione sem falhas. a construção em si está tão bem executada que sabe em cada momento aquilo que o espectador sente, aquilo que ele quer saber e aquilo que ele poderá pensar sobre o que está a ver. Noolan criou um argumento com uma cadência perfeita. para além disto os actores foram muito bem escolhidos, e todo o casting se mostra tremendamente unido ao longo do filme.

Inception ainda por cima consegue a proeza de ser um misto de um porradão de géneros: é um heist movie, é um filme de acção, mas por vezes também é um drama e vai até buscar muitos elementos ao género fantástico pela forma brilhante e eloquente em como constrói cada sonho que vemos (e constrói é mesmo coisa literal) e pela própria reacção das personagens - aqui sobretudo de di caprio e seus demónios interiores - em relação aos sonhos que supostamente eles dominarão.

Mas o melhor do filme é que ele consegue ter todos estes elementos e ser ao mesmo tempo um blockbuster: não é extremamente complexo, mas não cede a qualquer facilitismo. Tem um factor entretenimento elevadíssimo e ao mesmo tempo é uma obra autoral. Jogar neste limbo é algo que nolan sempre fez bem e elevou ainda mais a fasquia com este filme.

Pode parecer parvo, mas a falha maior de inception é não ter falhas: e como não tem falhas por vezes pode-se tornar frio aos olhos de quem o vê: como uma obra de arte que todos admiramos mas com a qual não nutrimos um irracional amor. Neste caso isso não me parece existir: inception tem todos os seus argumentos no sítio e não permite irracionalidades. De qualquer forma há que dizê-lo: se permitisse nolan iria desvirtuar aquilo que quis criar. E é curioso que nós mesmos acabamos por tomar nota desta pecha mas ter consciência de que não seria possível emendá-la: inception é um relógio e os relógios não se quedam por amores e ódios e cenas afins.

No geral leva oito elen pages e meia (ela é pequenina mas pronto, um gajo tinha de a encurtar um tudo nada mais) em dez.




Fixe não é? Primeiro meto a giselle bundchen seminua a seguir, espeto com...a odete santos. é assim na base do simpático turn off que um gajo curte espantar o povo. Mas eu nem diria uma odete santos: diria uma daquelas babes com quem um gajo tem acção por já estar meio bezano e a cena acaba por desenrolar. Quem? foda-se que agora tinha de pensar.

Sim, the last airbender é mau. Não não é um bocado de póia apanhada nos confins da idade do gelo e criada por 3243547689 mamutes com mais caganeira que 400 milhões de mrs metanos juntos. Shyamalan fez merda mas foi mais calcá-la do que propriamente o acto em si. Posto isto, a análise é simples: actores?mau. direcção dos mesmos? um cocó gigante.argumento? foda-se ele que páre de escrever depressa que aqueles diálogos são uma decadente comédia. Realização? boa porra. aproventamento do conceito da série propriamente dita (que veiodo nickelodeon) razoável/bom. Efeitos visuais e banda sonora? porreiríssimos.

Tecnicamente o filme está bem feito. Tem sequências de acção interessantes, mesmo aqueles gestos paneleiros que eles fazem para atacar com o seu específico elemento se aguentam, e é fixe vermos povo a andar à porrada, uns com ar (mas sem bufas) outros com fogo e outros com água etc. as sequências de batalha estão bem dirigidas. E epá existe um feeling de entretenimento que este filme tem (sobretudo na sua segunda metade, bem melhor que a primeira que quer despachar a história mais depressa que a gente se quer despachar da fila prós impostos) e que shyamalan consegue mais ou menos imprimir. Faltou desenvolver decentemente os personagens - e o avatar vivido por nah ringer até tinha o bónus de possuir um problema de consciência por não aguentar a tamanha responsabilidade de ser o avatar- coisa que shyamalan aproveitou mal - e mudar os actores.

Ou seja the last airbender é medíocre. Não é péssimo. Está é na moda andar à porrada com o shyamalan e siga toda a gente bater nele, armadões em bullies da vida só porque é moda. E com tanta efusividade em dar-lhe pontapés esquecemo-nos de ver a coisa com clareza: shyamalan tem bons filmes para além de sixth sense e unbreakable (do signs não gosto eu) the village é do camandro, lady in the water come-se, e o the happening é bem bom - e agora batam-me a mim porra.

este leva quatro elementos em dez (só há cinco elementos mas agora ando armado em avatar e inventei mais cinco)

sábado, 7 de agosto de 2010

5 filmes que até são porreiros mas toda a gente acha que são uma merda seca

Também não será bem isso. No entanto deu-me na pinha fazer uma lista de 5 moves que curto mas que, por uma ou outra razão não são decentemente considerados. Ou o povo até acha fixe mas não genial, ou é cena indiferente mas o filme até é bom, ou então toda a gente acha mesmo que aquilo cheira pior que uma hiena morta há mais de 3 meses e afinal a cena até é um tipo de babe que não sendo voluptuosa até tem os seus predicados.

Adiante começaremos com o mambo.

1- WEEKEND AT BERNIE'S



Não me lixem. Este filme não é realmente o citizen kane das comédias, mas é provavelmente a melhor comédia parva de sempre. Diz-se comédia parva aquele tipo de comédia que não tem mais que um neurónio, mas que um gajo se ri à bruta pela parvoíce. Ora ter um gajo morto a copular à bruta com uma cota casada com um mafioso, a jogar monopólio, a ter o chinó preso com agrafes...foda-se querem mais? A primeira vez que vi isto foi há uns 10 anos e ri-me comá merda. Agora...rio-me comá merda na mesma. Quer-se queira quer não "weekend at bernie's" funciona no seu pleno mau gosto em gastar à bruta um cadáver, e nos problemas que dois tipos parvos resolvem também à pala dele. Epá há povo que acha isto idiota? Mas claro que é! a questão é que de tão idiota se torna divertido como tudo. E ainda houve uma merdosa sequela, essa sim, um gigante pedaço de póia (embora ainda haja por aí coisa pior)

2-MALLRATS



Não será propriamente um filme mal-amado, mas a história de dois tipos que passam a vida no centro comercial da terra, sem fazerem a ponta dum corno, é bem mais interessante do que parece. Mallrats será porventura o filme mais subvalorizado de kevin smith (e clerks 2 também podia vir na lista) quanto mais não seja por vir depois do genial primeiro clerks e antes do brilhante chasing amy. No entanto é uma história simples sobre aquele povo que não se consegue inserir sequer no local de onde foi nascido e criado. No fundo tipos a quem a sociedade virou costas, ao ponto de eles acharem que não vale a pena sequer pensar em reinserções. E o imaginário nerd fica completo com um cameo de stan lee já para não falar de jay e silent bob que abrilhantam bem o filme. Não é uma simples comédia de consumo fácil...mas isso já parece mais complicado de perceber.

3- BORAT



Borat é genial. No entanto para os críticos portugas e uma enorme fatia do povo cinéfilo blogueiro, borat é mais que merda seca: é como se o hitler tivesse uma diarreia grotesca que fosse eclodir no filme de sacha baron cohen. quanto a isso só tenho uma cena a dizer: epá fodam-se. Não quero ser ofensivo com ninguém pois claro, que isto um gajo é amigo do povo, mas ver em borat somente meia dúzia de sketches de eventual mau-gosto e premeditados, é não perceber a ponta dum corno da essência de borat.

O filme é sobre choque cultural minha gente: o borat é o esterótipo de tipo do país subdesenvolvido que os americanos têm naquela pinha: aquele que não sabe fazer piadas, que caga e guarda os resultados da sua evacuação, o que tem uma burra a puxar um carro como meio de transporte. Cohen goza e de que maneira com o arquétipo dessa mesma ideia, e leva-a até às últimas consequências. Mau gosto? Nojo diria mesmo em certas cenas. Mas são divertidas como tudo, e conseguem estar inseridas num filme que é uma mensagem de intolerância e incompreensão dos americanos face a outras culturas. Se quisermos, borat existe porque nós achamos que ele existe. Mas não, isto são somente meia dúzia de sketches engalfinhados uns nos outros...e ainda houve gente que no ano de borat adorou o horripilante babel e achou este filme um bocado de bosta.bah.


4 - IDIOCRACY



Este parece que ninguém conhece. O gajo que fez o beavis and butthead e king of the hill, criou aqui um filme interessante comó caraças sobre um gajo mais normal que 40 graus à sombra no alentejo em agosto, que entra num programa militar e avança mil anos no futuro. Isto para descobrir que é o gajo mais inteligente à face da terra... Depois do muito inteligente office space, mike judge cria aqui o seu melhor filme (também só tem três), filme esse que ninguém conhece: o estúdio cagou de alto nele, nem trailer tem, e esteve praí 3 semanas nos cinemas dos states- o mesmo que dizer que levou cachaporra da bruta e nem notícia por isso foi.

A verdade é que para além das brilhantes analogias com o nosso tempo, e da total falta de pudor em nos mostrar uma sociedade completamente perdida, judge consegue falar da alienação de um povo, face à oferta mercantilista de que ele é alvo: toda a gente consome uma bebida energética manhosa, os filmes são a bela da treta, e todo um conjunto de porcarias são comidas à bruta. È uma pena que uma comédia destas, politicamente incorrecta e com questões sérias sobre o nosso tempo, não tenha merecido reconhecimento. Ainda por cima consegue mesmo ter graça.


5- BLADES OF GLORY



Honestamente? o filme não é nada de especial e pelo menos no tomates podres até foi bem recebido. A questão aqui é: o filme vai para além de uma comédia parva sobre dois tipos que se emparelham para fazer um par em patinagem. Tem a melhor perseguição de sempre num filme (vão vê-lo e depois vejam lá se não é verdade) e a personagem caricaturesca de machão filhadaputa de ferrel arranca momentos do catano como aquela parte em que o gajo começa a cantar a nookie de fred durst e companhia.

Mais a sério: este filme foi metido aqui meio a martelo, porque me vi à rasca para encontrar 5 filmes. mas acho que apesar de tudo existe algum merecimento inerente a blades of glory: filme para entreter que tem momentos porreiros e vale sobretudo pela louca corrida entre will arnet e ferrel, na perseguição mais ninja de sempre.

domingo, 30 de maio de 2010

rock in rio ou como arranjar um sofá à borla.




Há qualquer coisa de estranho quando um gajo vê o cartaz de um festival e se apercebe que a única banda que o faria pagar bilhete é portuga e de setúbal (isto sem desprimor nenhum para os mais de mil que são das minhas bandas nacionais favoritas). e daí talvez não quando estamos a falar do rock in rio, a verdadeira feira ambulante com concertos no meio.

Porque me parece ser essa a definição mais correcta. Eu, que nunca lá meti a pata (estive quase, quase para ir na primeira edição no dia de metallica) posso mandar o bitaite completamente à vontade. Mas quando um gajo vai ler crónicas do concerto de muse, ou do mayer, ou dos trovante e topa que existem filas para arranjar sofás insufláveis grátis(!) ou maquilhagem especial à borla( outro !), parece-lhe que o conceito de festival musical está ,mais do que extravasado, subvertido num conceito de centro comercial gigante com umas bandocas a animar o povo.

Montanhas russas e free falls e essas merdas, já eu tinha topado que existiam quando muito espantado vejo uma montanha russa no sudoeste do ano passado, patrocinada pelos totolotos e totobolas da vida. Já acho isso ridíiculo que chegue, mas tudo bem que o sudoeste agora anda vocacionado para uma espécie de férias de uma semana com uns concertos pelo meio - também me parece ser um conceito meio parvo, mas como teve lá faith no more caguei. Agora o rir consegue levar as coisas a outra dimensão: deixa que os portugas se fascinem por uma marca, que cedam à brilhante jogada de marketing e digam com orgulho que lá meteram a pata. Mesmo que não façam a puta de ideia quem lá foi tocar - e isso atingirá eventual expoente na tenda vip, por aquilo que vamos vendo e lendo nas opiniões dos bué famosos da nossa praça.

No fundo, rock in rio, idas a cancun, porto galinhas ou algarve para os pobres, carro novo, ida a um restaurante finório, são pedras do mesmo dominó e servem como objectivo de escarrapachar ao vizinho que se meteu lá a pata - e o rock in rio faz questão de enfatizar isso com a já referida t-shirt. è uma questão que se prende desde os míticos tempos dos descobrimentos em que as peixeiras tinham uma escrava porque marcava a pausa para as vizinhas, ou o povo mais pobre andava com vestes todas da moda, para depois comerem pão que sabia a areia. A questão aqui é: então e a música?


E aqui respondo eu: o rock in rio é um festival para quem não gosta de música. Peguemos nas pessoas do primeiro dia que eram REALMENTE conhecedoras das discografias de quem ia tocar. Decerto que existiam algumas mas...contar-se-iam mais que pelos dedos? Duvido. A shakira terá uma base de fãs sólida? A ivete sangalo? Honestamente não acredito. As pessoas foram porque conhecem os mega-hits da rádio, e o abananço da colombiana e a poeira da brasileira, e meia dúzia foram lá para ver o mayer e pronto. O mesmo no segundo dia. e em certa medida o mesmo no dia de muse - acredito eu que se muse não fosse no rock in rio mas noutro festival qualquer, eles não teriam tanta gente a vê-los. Parecendo que não um dos dias com fãs mais indefectíveis terá sido mesmo com o jailbait da miley cyrus. E claro neste último dia onde sobretudo motorhead e megadeth têem fãs solidamente espalhados pelo país (rammstein são cada vez mais banda da moda e soulfly é sobretudo por terem o cavalera - e ninguém sente a falta de uma banda tuga como ramp que até vai ao palco secundário ou moonspell no palco mundo?)

Mas isto pouco interessa: o mais importante é sair de lá com as guitarras e sofás insufláveis, com unhas pintadas, fotos com duplos de povo musicalmente conhecido, entre bugigangas afins que saem que nem pãezinhos quentes por serem à borla. Fazendo com que as pessoas se esqueçam dos 80 aéreos que gastaram para arranjar um sofá que ficará lindamente na mesa da sala, junto à moldura das férias em porto galinhas e da foto com o bmw novinho em folha, que residem naquele T0 da ameixoeira. È isto que o agressivo marketing do rock in rio consegue: vende sonhos e ilusões a quem os consome diariamente. Com o que isso tem de bom e mau.

segunda-feira, 22 de março de 2010

shutter island de martin scorsese - ou siga meter o povo do júlio de matos dentro da bonita série que é lost.





Que scorsese é um mestre absoluto do cinema feito nos states, é mais que óbvio. Que nos últimos anos, embora tenha feito bons filmes, amochou um tudo nada não deixa também de ser verdade. embora estejamos a falar da "bitola scorsese" que é daqueles tipos como o woody allen ou, na minha bronca opinião cronenberg por exemplo, que possuem uma avaliação especial dada a sua genialidade (embora o woody tenha feito borrada com um filme manhoso chamado "life and anything else" mas pronto)

"Shutter island" é mais um capítulo na profícua colaboração entre marty e di caprio que começou , salvo erro, no muito bom "gangs de nova iorque" e que tem ido por aí adiante. Desta vez ele conta a história de teddy daniels, um tipo que foi convocado pelo fbi ou cena parecida para investigar um desaparecimento em shutter island, ilha- prisão para povo doido da carola.

Teddy tem umas quantas assombrações marotas - não vou explicar muito, caso contrário estaria a mandar spoilers- demónios interiores que aos poucos são revelados. e aos poucos também ele apercebe-se de algo de muito maior e mais grave se passa naquela ilha. O resto é ver em duas horas que são de entretenimento claustrofóbico, doido varrido, enfim maluco dos cornos. Um filme que não é mais que psicose pura, medo sim mas sobretudo incerteza sobre aquilo que vemos.

Eu não li o livro de dennis lehane que deu origem ao filme, mas foda-se: "shutter island" é um mimo. Scorsese dá azo a uma realização extraordinariamente clássica, com grandes planos majestosos sobre a ilha e sobre a própria prisão, bem como nos vai habilmente guiando através do seu herói até ao final emocionante e emocional que executa. Com uma fotografia densa, uma montagem cuidadosa e com interpretações do caraças (sobretudo de di caprio mas todo o elenco está óptimo), scorsese filma aqui o seu filme mais negro de sempre e algo que vai ficar como objecto meio insólito na sua filmografia.

E as questões que nos coloca e que nos vão dividindo, invadindo a nossa cabeça como lanças afiadas e tal (simpática metáfora), são de tal modo perturbantes que acabamos o filme ainda a pensar naquilo. E mesmo quando a projecção termina respiramos fundo e ficamos a reflectir: será que foi mesmo verdade isto tudo? Ou é tudo ao contrário? E queremos ir buscar sinais urgentes que provem o que vimos, a verdade, quase como registo próprio de sanidade. e penso agora como é bom um filme acabar e ficarmos a pensar sobre ele durante uns tempos. scorseses não há é muitos foda-se.

Dou 9 namoradas do dicaprio e meia (não quero cortar a moça às postas mas imaginem 9 dias de sexo louco com a senhora israelita e depois mais um dia só até à hora de almoço e fica feito) em dez. filmaço mesmo.

domingo, 7 de março de 2010

Aqueles bonecos carecas dourados com nome do porcalhão da rua sésamo




Toda a gente sabe que os óscares são o culiminar de meses de pressões de estúdio y e estúdio z para colocarem um filme seu entre os nomeados, para o pôr a render depois. è de comum conhecimento de que há um porradão de filmes que não ganharam óscar de melhor filme (citizen kane, raging bull, pulp fiction, goodfellas, the thin red line) e provavelmente um gajo nem se lembra do filme que ganhou nesse específico ano (no caso de kane foi how green was my valley de john ford, o belo do rocky no ano do de niro a andar à porrada, tom hanks a fazer de tipo com problemas mentais no forrest gump, kevin costner a fazer de vira casacas no ano de goodfellas e finalmente a merda de filme chamado a paixão de shakespeare no ano do gigantesco the thin red line).

A questão é que se continua a dar importância magna aos óscares. Hey eu também sofro disso: sou estúpido o suficiente para logo à noite ficar plantado no ecrã para ver as babes decotadas e a atribuição de prémios com mais audiência do mundo. Acho que isso nos acontece simplesmente porque a promoção da cena é alta, porque é um dado onde nos agarramos ou mesmo porque queremos que certo filme ganhe e outro não, e estamos lá para justiça ser feita em directo. Normalmente nunca é pois claro.

Dando importância portanto a este golpe comercial muito bem engendrado pela indústria de hollywood desde 1900 e trocópasso, temos este ano 10 filmes nomeados para óscar: e deve ter sido dos anos em que mais filmes nomeados vi: up, district 9, an education, the hurt locker, inglourious basterds, avatar. seis portanto. não vi precious porque andar a ver uma pita a levar cachaporra da mãe como se não houvesse amanhã não me apetece. a serious man porque ainda não respirei fundo numa "siga lá que é agora". The blind side porque deve ser dramalhão à sandra bullock. e up in the air porque sou parvo - até porque de todos os nomeados parece ser aquele com o qual eu me poderia identificar mais pelo menos a nível de realização e actores.

Adiante.

Toda a gente sabe que quem vai ganhar ou é avatar ou the hurt locker. Passemos a falar de "up" então.



Se up ganhar o óscar, acho que faço operação para mudar de sexo e mudo de nome para Mariline romaneva. Não há a mínima hipótese deste simpático filme de animação sobre um velhote a cumprir o seu sonho, ganhar o óscar. é grande filme? sem dúvida. não é o melhor que aqui está mas é uma grande produção da pixar - sempre achei este nome altamente promíscuo, ser tuga é fodido - com um argumento fantabulástico e um respeito enorme pelas personagens (embora wall.e ainda seja a obra-prima do estúdio). Mas nope. Ganha o de animação, e embora é pena porque fantastic mr fox é filmaço, mas pronto já vai com sorte.




Foda-se! quem se envolveu em district 9 deve ter feito uma mega party com bezanas descomunais,comida em barda e uma data de pêgas contratadas para o efeito. tipo orgia romana ou assim. è um bom filme sem dúvida mas ser nomeado é surpresa suficiente. Funciona plenamente enquanto mistura de falso-documentário, e drama de ficção científica sobre um homem a transformar-se à bruta, mas nunca na vida alguém deve ter pensado que o filme fosse nomeado. é o que dá serem 10 este ano.



Deve ser deve. "An education" é um excelente filme. história sobre uma pita que sonha mundos e fundos à pala de uma paixão por um cota mais velho. não tem cá sentimentalismos parvos, é realista, ainda por cima não entra em rodriguinhos manhosos para explicar o que quer. hora e meia pura e dura de um filme dramático embora funcione sobretudo por causa do realismo que possui e da percepção dos anos 50 nas ilhas britânicas. mas claro que não ganha. é para a academia dizer que é muito "plural" nas escolhas e essas merdas. mas é pena que carey mulligan não tenha a mínima hipótese de ganhar o óscar, embora eu torça ardentemente que sandra bullock o vença (não por causa do filme que esse nem vi, mas ela ontem ganhou o razzie de pior actriz - se vencer hoje será a primeira actriz de sempre a ganhar o razzie e o óscar no mesmo ano. what an honor).


Estes são os filmes que, a meu ver, só foram nomeados porque agora há 10. a estes três juntava a serious man e the blindside, embora ache que an education podia ter hipóteses de lá chegar substituído pelo precious.

Ora os outros três:



È um filme filhadaputa, embora ache que funcione melhor com os capítulos vistos separadamente, ao invés da sua soma mas pronto. Esta revisão criativa de tarantino sobre a segunda guerra mundial é genialíssima, tem diálogos do cacete, simbolismos que nunca mais acabam e um hans landa que mete medo como tudo. Ganha christoph waltz o secundário e melhor argumento original que é uma maneira de compensar tarantino. Aliás se olharmos para história vemos que muitos dos filmes que ganham este óscar de argumento perdem depois para melhor filme (little miss sunshine, juno, pulp fiction, citizen kane, só para dar uns exemplos). Normalmente daqui costumo tirar fofinhas ilacções portanto se tarantino ganhar este é certo que não ganha o de melhor filme.



Deste já falei aqui e não me vou contradizer. claro que era muito fácil pegar em avatar e fazê-lo de mau da fita por ser declaradamente mainstream, por ter dado a guita que deu, por ter uma história meio esquemática. mas eu gostei do filme, gostei muito das intenções de cameron e percebo a sua nomeação pois claro. vai ficar na história sobretudo pelo seu visual arrojado mas gostava que não ganhasse. aliás diria que qualitativamente falando é dos mais fracos que aqui estão. Não é melhor que an education, inglourious basterds, the hurt locker ou up. Está ao nível de district 9 embora este ganhe pontos por ter sido feito fora de hollywood. mas é bom. gostava que não ganhasse embora me pareça o mais sério candidato. De qualquer forma se ganhar não deixa de ser justo.



The hurt locker é gigantesco. é frenético, é duro, é rude, é dramático, é suspense que não acaba, é psicológico. è uma descida aos infernos que fuunciona enquanto filme de acção, drama, experiência psicológica, e quase como documentário dado ser tão realista. Ganhar seria mostrar ao mundo a guerra naquele que parece ser o seu estado puro, mostrando os seus vícios e tentáculos, dando conta ao espectador dos seus terrores mas também das suas obsessões.

Mas duvido. é o melhor filme, tem a melhor realizadora e o melhor actor num papel do catano de jeremy renner. é o meu favorito mas duvido que consiga lá chegar. merecia? sem dúvida. Mas terá a academia tomates para premiar um filme tão duro e intenso?


Posto isto é esperar. e tenho de ver pelo menos o up in the air e o a serious man que os outros dois pouco me parecem dizer. e ter pena de filmes do caralho como big fan por exemplo que merecia estar nomeado para tudo e mais alguma coisa. mas são mambos da vida pronto.