Há qualquer coisa de estranho quando um gajo vê o cartaz de um festival e se apercebe que a única banda que o faria pagar bilhete é portuga e de setúbal (isto sem desprimor nenhum para os mais de mil que são das minhas bandas nacionais favoritas). e daí talvez não quando estamos a falar do rock in rio, a verdadeira feira ambulante com concertos no meio.
Porque me parece ser essa a definição mais correcta. Eu, que nunca lá meti a pata (estive quase, quase para ir na primeira edição no dia de metallica) posso mandar o bitaite completamente à vontade. Mas quando um gajo vai ler crónicas do concerto de muse, ou do mayer, ou dos trovante e topa que existem filas para arranjar sofás insufláveis grátis(!) ou maquilhagem especial à borla( outro !), parece-lhe que o conceito de festival musical está ,mais do que extravasado, subvertido num conceito de centro comercial gigante com umas bandocas a animar o povo.
Montanhas russas e free falls e essas merdas, já eu tinha topado que existiam quando muito espantado vejo uma montanha russa no sudoeste do ano passado, patrocinada pelos totolotos e totobolas da vida. Já acho isso ridíiculo que chegue, mas tudo bem que o sudoeste agora anda vocacionado para uma espécie de férias de uma semana com uns concertos pelo meio - também me parece ser um conceito meio parvo, mas como teve lá faith no more caguei. Agora o rir consegue levar as coisas a outra dimensão: deixa que os portugas se fascinem por uma marca, que cedam à brilhante jogada de marketing e digam com orgulho que lá meteram a pata. Mesmo que não façam a puta de ideia quem lá foi tocar - e isso atingirá eventual expoente na tenda vip, por aquilo que vamos vendo e lendo nas opiniões dos bué famosos da nossa praça.
No fundo, rock in rio, idas a cancun, porto galinhas ou algarve para os pobres, carro novo, ida a um restaurante finório, são pedras do mesmo dominó e servem como objectivo de escarrapachar ao vizinho que se meteu lá a pata - e o rock in rio faz questão de enfatizar isso com a já referida t-shirt. è uma questão que se prende desde os míticos tempos dos descobrimentos em que as peixeiras tinham uma escrava porque marcava a pausa para as vizinhas, ou o povo mais pobre andava com vestes todas da moda, para depois comerem pão que sabia a areia. A questão aqui é: então e a música?
E aqui respondo eu: o rock in rio é um festival para quem não gosta de música. Peguemos nas pessoas do primeiro dia que eram REALMENTE conhecedoras das discografias de quem ia tocar. Decerto que existiam algumas mas...contar-se-iam mais que pelos dedos? Duvido. A shakira terá uma base de fãs sólida? A ivete sangalo? Honestamente não acredito. As pessoas foram porque conhecem os mega-hits da rádio, e o abananço da colombiana e a poeira da brasileira, e meia dúzia foram lá para ver o mayer e pronto. O mesmo no segundo dia. e em certa medida o mesmo no dia de muse - acredito eu que se muse não fosse no rock in rio mas noutro festival qualquer, eles não teriam tanta gente a vê-los. Parecendo que não um dos dias com fãs mais indefectíveis terá sido mesmo com o jailbait da miley cyrus. E claro neste último dia onde sobretudo motorhead e megadeth têem fãs solidamente espalhados pelo país (rammstein são cada vez mais banda da moda e soulfly é sobretudo por terem o cavalera - e ninguém sente a falta de uma banda tuga como ramp que até vai ao palco secundário ou moonspell no palco mundo?)
Mas isto pouco interessa: o mais importante é sair de lá com as guitarras e sofás insufláveis, com unhas pintadas, fotos com duplos de povo musicalmente conhecido, entre bugigangas afins que saem que nem pãezinhos quentes por serem à borla. Fazendo com que as pessoas se esqueçam dos 80 aéreos que gastaram para arranjar um sofá que ficará lindamente na mesa da sala, junto à moldura das férias em porto galinhas e da foto com o bmw novinho em folha, que residem naquele T0 da ameixoeira. È isto que o agressivo marketing do rock in rio consegue: vende sonhos e ilusões a quem os consome diariamente. Com o que isso tem de bom e mau.
Que scorsese é um mestre absoluto do cinema feito nos states, é mais que óbvio. Que nos últimos anos, embora tenha feito bons filmes, amochou um tudo nada não deixa também de ser verdade. embora estejamos a falar da "bitola scorsese" que é daqueles tipos como o woody allen ou, na minha bronca opinião cronenberg por exemplo, que possuem uma avaliação especial dada a sua genialidade (embora o woody tenha feito borrada com um filme manhoso chamado "life and anything else" mas pronto)
"Shutter island" é mais um capítulo na profícua colaboração entre marty e di caprio que começou , salvo erro, no muito bom "gangs de nova iorque" e que tem ido por aí adiante. Desta vez ele conta a história de teddy daniels, um tipo que foi convocado pelo fbi ou cena parecida para investigar um desaparecimento em shutter island, ilha- prisão para povo doido da carola.
Teddy tem umas quantas assombrações marotas - não vou explicar muito, caso contrário estaria a mandar spoilers- demónios interiores que aos poucos são revelados. e aos poucos também ele apercebe-se de algo de muito maior e mais grave se passa naquela ilha. O resto é ver em duas horas que são de entretenimento claustrofóbico, doido varrido, enfim maluco dos cornos. Um filme que não é mais que psicose pura, medo sim mas sobretudo incerteza sobre aquilo que vemos.
Eu não li o livro de dennis lehane que deu origem ao filme, mas foda-se: "shutter island" é um mimo. Scorsese dá azo a uma realização extraordinariamente clássica, com grandes planos majestosos sobre a ilha e sobre a própria prisão, bem como nos vai habilmente guiando através do seu herói até ao final emocionante e emocional que executa. Com uma fotografia densa, uma montagem cuidadosa e com interpretações do caraças (sobretudo de di caprio mas todo o elenco está óptimo), scorsese filma aqui o seu filme mais negro de sempre e algo que vai ficar como objecto meio insólito na sua filmografia.
E as questões que nos coloca e que nos vão dividindo, invadindo a nossa cabeça como lanças afiadas e tal (simpática metáfora), são de tal modo perturbantes que acabamos o filme ainda a pensar naquilo. E mesmo quando a projecção termina respiramos fundo e ficamos a reflectir: será que foi mesmo verdade isto tudo? Ou é tudo ao contrário? E queremos ir buscar sinais urgentes que provem o que vimos, a verdade, quase como registo próprio de sanidade. e penso agora como é bom um filme acabar e ficarmos a pensar sobre ele durante uns tempos. scorseses não há é muitos foda-se.
Dou 9 namoradas do dicaprio e meia (não quero cortar a moça às postas mas imaginem 9 dias de sexo louco com a senhora israelita e depois mais um dia só até à hora de almoço e fica feito) em dez. filmaço mesmo.
Toda a gente sabe que os óscares são o culiminar de meses de pressões de estúdio y e estúdio z para colocarem um filme seu entre os nomeados, para o pôr a render depois. è de comum conhecimento de que há um porradão de filmes que não ganharam óscar de melhor filme (citizen kane, raging bull, pulp fiction, goodfellas, the thin red line) e provavelmente um gajo nem se lembra do filme que ganhou nesse específico ano (no caso de kane foi how green was my valley de john ford, o belo do rocky no ano do de niro a andar à porrada, tom hanks a fazer de tipo com problemas mentais no forrest gump, kevin costner a fazer de vira casacas no ano de goodfellas e finalmente a merda de filme chamado a paixão de shakespeare no ano do gigantesco the thin red line).
A questão é que se continua a dar importância magna aos óscares. Hey eu também sofro disso: sou estúpido o suficiente para logo à noite ficar plantado no ecrã para ver as babes decotadas e a atribuição de prémios com mais audiência do mundo. Acho que isso nos acontece simplesmente porque a promoção da cena é alta, porque é um dado onde nos agarramos ou mesmo porque queremos que certo filme ganhe e outro não, e estamos lá para justiça ser feita em directo. Normalmente nunca é pois claro.
Dando importância portanto a este golpe comercial muito bem engendrado pela indústria de hollywood desde 1900 e trocópasso, temos este ano 10 filmes nomeados para óscar: e deve ter sido dos anos em que mais filmes nomeados vi: up, district 9, an education, the hurt locker, inglourious basterds, avatar. seis portanto. não vi precious porque andar a ver uma pita a levar cachaporra da mãe como se não houvesse amanhã não me apetece. a serious man porque ainda não respirei fundo numa "siga lá que é agora". The blind side porque deve ser dramalhão à sandra bullock. e up in the air porque sou parvo - até porque de todos os nomeados parece ser aquele com o qual eu me poderia identificar mais pelo menos a nível de realização e actores.
Adiante.
Toda a gente sabe que quem vai ganhar ou é avatar ou the hurt locker. Passemos a falar de "up" então.
Se up ganhar o óscar, acho que faço operação para mudar de sexo e mudo de nome para Mariline romaneva. Não há a mínima hipótese deste simpático filme de animação sobre um velhote a cumprir o seu sonho, ganhar o óscar. é grande filme? sem dúvida. não é o melhor que aqui está mas é uma grande produção da pixar - sempre achei este nome altamente promíscuo, ser tuga é fodido - com um argumento fantabulástico e um respeito enorme pelas personagens (embora wall.e ainda seja a obra-prima do estúdio). Mas nope. Ganha o de animação, e embora é pena porque fantastic mr fox é filmaço, mas pronto já vai com sorte.
Foda-se! quem se envolveu em district 9 deve ter feito uma mega party com bezanas descomunais,comida em barda e uma data de pêgas contratadas para o efeito. tipo orgia romana ou assim. è um bom filme sem dúvida mas ser nomeado é surpresa suficiente. Funciona plenamente enquanto mistura de falso-documentário, e drama de ficção científica sobre um homem a transformar-se à bruta, mas nunca na vida alguém deve ter pensado que o filme fosse nomeado. é o que dá serem 10 este ano.
Deve ser deve. "An education" é um excelente filme. história sobre uma pita que sonha mundos e fundos à pala de uma paixão por um cota mais velho. não tem cá sentimentalismos parvos, é realista, ainda por cima não entra em rodriguinhos manhosos para explicar o que quer. hora e meia pura e dura de um filme dramático embora funcione sobretudo por causa do realismo que possui e da percepção dos anos 50 nas ilhas britânicas. mas claro que não ganha. é para a academia dizer que é muito "plural" nas escolhas e essas merdas. mas é pena que carey mulligan não tenha a mínima hipótese de ganhar o óscar, embora eu torça ardentemente que sandra bullock o vença (não por causa do filme que esse nem vi, mas ela ontem ganhou o razzie de pior actriz - se vencer hoje será a primeira actriz de sempre a ganhar o razzie e o óscar no mesmo ano. what an honor).
Estes são os filmes que, a meu ver, só foram nomeados porque agora há 10. a estes três juntava a serious man e the blindside, embora ache que an education podia ter hipóteses de lá chegar substituído pelo precious.
Ora os outros três:
È um filme filhadaputa, embora ache que funcione melhor com os capítulos vistos separadamente, ao invés da sua soma mas pronto. Esta revisão criativa de tarantino sobre a segunda guerra mundial é genialíssima, tem diálogos do cacete, simbolismos que nunca mais acabam e um hans landa que mete medo como tudo. Ganha christoph waltz o secundário e melhor argumento original que é uma maneira de compensar tarantino. Aliás se olharmos para história vemos que muitos dos filmes que ganham este óscar de argumento perdem depois para melhor filme (little miss sunshine, juno, pulp fiction, citizen kane, só para dar uns exemplos). Normalmente daqui costumo tirar fofinhas ilacções portanto se tarantino ganhar este é certo que não ganha o de melhor filme.
Deste já falei aqui e não me vou contradizer. claro que era muito fácil pegar em avatar e fazê-lo de mau da fita por ser declaradamente mainstream, por ter dado a guita que deu, por ter uma história meio esquemática. mas eu gostei do filme, gostei muito das intenções de cameron e percebo a sua nomeação pois claro. vai ficar na história sobretudo pelo seu visual arrojado mas gostava que não ganhasse. aliás diria que qualitativamente falando é dos mais fracos que aqui estão. Não é melhor que an education, inglourious basterds, the hurt locker ou up. Está ao nível de district 9 embora este ganhe pontos por ter sido feito fora de hollywood. mas é bom. gostava que não ganhasse embora me pareça o mais sério candidato. De qualquer forma se ganhar não deixa de ser justo.
The hurt locker é gigantesco. é frenético, é duro, é rude, é dramático, é suspense que não acaba, é psicológico. è uma descida aos infernos que fuunciona enquanto filme de acção, drama, experiência psicológica, e quase como documentário dado ser tão realista. Ganhar seria mostrar ao mundo a guerra naquele que parece ser o seu estado puro, mostrando os seus vícios e tentáculos, dando conta ao espectador dos seus terrores mas também das suas obsessões.
Mas duvido. é o melhor filme, tem a melhor realizadora e o melhor actor num papel do catano de jeremy renner. é o meu favorito mas duvido que consiga lá chegar. merecia? sem dúvida. Mas terá a academia tomates para premiar um filme tão duro e intenso?
Posto isto é esperar. e tenho de ver pelo menos o up in the air e o a serious man que os outros dois pouco me parecem dizer. e ter pena de filmes do caralho como big fan por exemplo que merecia estar nomeado para tudo e mais alguma coisa. mas são mambos da vida pronto.
Kevin Smith foi, numa determinada altura da sua carreira, um daqueles nomes mais que promissores de hollywood, uma das grandes esperanças, tipo os chavalos da bola promissores para darem em craques. não terá sido um "cristiano ronaldo em potência" como foram sei lá richard kelly ou meesmo m.night shyammalan (e se o primeiro ainda está num limbo, shyamalan está cada vez mais na fossa para muito boa gente) mas foi sem dúvida um tipo de quem ninguém tirava os olhos de cima. O excelente clerks, um pequeno filme independente mais low-budget todo filmado a preto e branco e com actores meio amadores, foi a força motriz para isso acontecer. E a verdade é que depois do excelente clerks, mallrats e chasing amy souberam seguir esse padrão.
Clerks, o primeiro, é um filme recheado de lata sobre dois tipos que trabalham numa loja de conveniência. tão simples quanto isso. tem piadas parvas e porcas, tem um feeling indie supremo sobre dois losers a bulir numa loja. somente isto. mas consegue que tanto o responsável dante e o estouvado randal cativem. Ou jay e silent bob que aqui nasceram. E os problemas existenciais daquelas duas personagem conseguem-se transformar em assuntos de estado essenciais para um mundo melhor - pelo menos na nossa cabeça. E isto, lá está em simples hora e meia com meia dúzia de tostões e actores amadores.
Mallrats foi mais ou menos isto mas com mais guita. Existem dois tipos que não fazem nenhum (Ts e Brodie) mas neste caso andam por um centro comercial a passear, centro comercial esse que, pois claro, é também o poiso de jay e silent bob. Mais umas quantas piadas parvas, referências geek e temos um filme que, não sendo tão interessante como clerks foi, consegue ser uma boa adição à filmografia do homem. Mallrats continuua a ser uma singela homenagem à geração meio perdida de smith e aos seus anti-heróis.
Chasimg amy é, no meu mais que douto entender, O filme de Kevin Smith. é uma comédia romântica com um porradão de referências a comics por exemplo (tal como mallrats que até teve uma pequena participação de stan lee himself) mas tem uma essência imbatível por ser dura e até cruel nos seus propósitos. è a história de um gajo que se apaixona por uma...fufa. Basicamente isto.E as suas inseguranças e desvarios, medos etc, são entraves para uma vida mais simpática. Smith mostra aqui a sua sensibilidade e tal sim senhor, mas também um par de tomates do caraças por fazer um filme que emociona um gajo sem lamechices e mariquices. E o discurso de silent bob é das analogias mais básicas de serem feitas, mas de tão certeira que é merece louvores. E chasing amy é isso mesmo: um filme que não revoluciona mundo nenhum mas que subverte um género de tal maneira que o consegue compreender em todo o seu esplendor. è genial diria.
A partir daqui a porca torceu um bocado o rabo. Não que dogma seja mau porque não é, mas nota-se que a "lata" do costume está muito mais entregue ao tema em si (dois anjos que querem ir para o paraíso mas não conseguem) do que ao argumento. E pareceu-me que smith ficou tão contente de ter conseguido meter a sua premissa nas bocas do mundo, que depois ficou a meio caminho. Mas ainda assim é bom. Tal como jay and silent bob o é embora nesse caso ele deixou que as personagens falassem por si. Ou seja o que funcionou foi sem dúvida as piadas que smith por lá meteu, e não a essência da história ou as suas personagens. Mas o filme é porreiro e não houve espiga. De qualquer forma, e voltando a dogma, preciso de o rever que já não o vejo há que tempos.
E agora sim: a porca torce o rabo. Com as belezas da paternidade, Smith tornou-se um menino. è verdade que tenta atenuar isso um bocado: mete por lá umas piadas escatológicas, a miúda não é do tipo "fofinha" tem em george carlin um avô meio nonsense e com graça, e a personagem de ben affleck consegue ter a nossa solidariedade. Mas é lamechas. Bastante mesmo. E muitas das vezes politicamente correcto. Aquilo que a personagem de Affleck quer é o mesmo que Dante queria, com a difenreça que o primeiro teve uma tragédia absoluta na sua vida e o segundo pelo menos que saibamos não. È um filme de kevin smith? A espaços parece sim, mas depois há por lá umas inundações da lágrima semifácil e o caso fica mais bicudo. Não é uma mancha horrível na nossa camisa preferida, mas é uma daquelas que só com umas 3 ou 4 lavagens lá vai.
Smith tentou pedir uma espécie de "desculpa" em "Clerks 2" fazendo voltar as suas personagens primeiras. Clerks 2 é outra vez Dante e Randall a trabalhar agora num sítio chamado "mooby's", porque o quick stop literalmente ardeu, e Jay e Silent Bob em negociatas nas traseiras. Obviamente que a questão aqui é: as desculpas foram aceites?
No que a mim toca não tenho a mínima dúvida que sim. Até digo mais: clerks 2 é um dos meus filmes favoritos de smith. Volta ao politicamente incorrecto às piadas porcas mas com sentido, chega mesmo a ser nojento com a tal cena do jumento que, embora previsível a certa altura, funciona na sua plenitude. E nem sei se isso é bom ou mau... E ainda consegue que essa cena seja fundamental na acção do filme, pois é aí que as grandes revelações do filme são colocadas em cheque.
Mas o melhor mesmo de clerks 2 é que o filme sabe dignificar as suas personagens, tem carinho por elas. Sabe que não pode significar o mesmo que o primeiro filme significou, mas arranja um sentido lógico para Dante e Randall, uma espécie de merecida redenção quue não é mais que lhes dar um sentido para a vida. Sentido esse que é basicamente aquilo que gostávamos que smith lhes desse. Sem tirar nem pôr.
E não sendo melhor que clerks, o primeiro, clerks 2 é de facto um filme feito por um fã daquelas pessoas. E daquela geração. Kevin smith, ele mesmo. è verdade que anda por lá uma lamechice manhosa que apodera meia dúzia de minutos o filme mas é aquele tipo de "amochar" que ainda se aceita. Afinal o tipo foi pai, e clerks 2 foi uma espécie de homenagem feita a Jason Mewes (Jay) por ter saído dessa cena chamada droga.
Zack and miri make a porno foi o último filme do homem. Tem cerca de 2 anos e foi construído tendo por base uma porreiraça premissa: dois amigos dividem uma casa, e como são altos falhados sem grande guita, decidem produzir um filme porno para arranjar uns trocos. A premissa diga-se é óptima. Seth Rogen é um actor que eu curto. Elizabeth Banks é fofinha, e volta aquelas piadas subersivas porreiraças que o povo curte ver num filme do homem.
Mas pois claro, o filme torna-se uma comédia romântica. consegue é não ser tão declaradamente lamechas como Jersey girl e Clerks 2(nos momentos em que este puxa para a lamechice). Mas ainda assim o seu desenrolar não é tão satisfatório quanto podia ter sido, e como os primeiros praí 20 minutos faziam parecer. è verdade que a páginas tantas emenda a mão e faz-nos sentir tranquilos em relação ao seu final, mas não é um filme brilhante.
De qualquer forma é bom, e conseguiu unir mais os fãs de smith que não curtiram nem jersey girl nem clerks 2. Eu diria que este foi o filme que me deixou me sossegou em definitivo: afinal o homem ainda sabe o que está a fazer. Quanto aos momentos mais para "molha cueca" pode ser que ele os consiga contextualizar num filme próximo. embora duvide que seja com "cop out" o seu próximo filme com bruce willis e tracy morgan, cena sobre dois bófias à procura de um tipo marado dos cornos e com pancada por cromos de basebol. Acho que é isto.
Pelo trailer, que aqui deixo, soa-me a cena bastante encomendada, mas há coisas encomendadas que funcionam. vamos ver. Embora nem por isso tenha gostado desta apresentação...
e para acabar deixem cá ver se faço um top meu de filmes do homem. Ora bem:
1 - chasing amy 2 - clerks 3 - clerks 2 4 - mallrats 5 - dogma 6 - jay and silent bob strike back 7 - zack and miri make a porno 8 - jersey girl
Atenção: é verdade que zack and miri make a porno está em sétimo, mas de 0 a 10 dava-lhe um 7. tal como ao filme do jay and silent bob e provavelmente a dogma. ia de 8 para o mallrats e o segundo clerks e a 9 para o clerks el primero e chasing amy.
È absolutamente verdade que o mercado das séries tem vindo a florescer a olhos vistos. Muitas delas são inclusive mais relevantes que um porradão de filmes que surgem, possuindo uma relevância artística bastante particular. Obviamente que esse fenómeno não é de agora, mas a quantidade de formatos originais que surgem em formato televisivo são suficientes para que consiga sustentar esta minha afirmação.
"The inbetweeners" tem duas temporadas, a primeira que começou no dia em que a segunda série de "skins" terminou. Acabou com putos em nova iorque ao som de mgmt e começou um genérico animado sobre um puto meio loser que vai para uma escola nova. A premissa de "the inbetweeners" é basicamente isto. Um puto average joe, irrelevante socialmente numa escola com um grupo de amigos relativamente idênticos e as suas vivências numa escola. Obviamente que há um porradão de peripécias algumas mais parvas que outras, embora todas elas acabem por ter graça.
Não me rio às gargalhadas como muitas vezes me rio a ver the big bang theory por exemplo, típica sitcom americana que tem um porradão de punchlines propositadas para arrancar risos. The inbetweeners não sendo uma comédia absolutamente comum, tem uma lata do caraças em meter piadas e que ainda por cima costuma funcionar. E joga com características específicas dos seus personagens, seja pela quase excentricidade, paleio, insegurança ou simplesmente imaginação. a série foi feita para que nos consigamos identificar com algum daqueles caracteres e para nos realmente importarmos com eles, e essa consistência emocional é complicada de alcançar. E the inbetweeners consegue-o logo no primeiro episódio.
Cada season tem somente 6 episódios de 20 minutos e pouco, como é bastante comum em inglaterra. No entanto compreende-se que se as temporadas alastrassem para 15 ou 20 episódios, muitos deles seriam puro enchimento de chouriços. Assim os criadores têm tempo para aprimorar a vida dos 4 tipos que não são propriamente populares mas também não chegam a nerds. Estão lá pelo meio portanto.
È das séries de comédia mais inventiva que me lembro de ver nos últimos tempos. Uma espécie de "superbad" versão série mas com bastante mais estilo e atitude. Mais que recomendável porra.
Estou a escrever estas simples linhas por duas razões específicas: primeiro porque o nuno markl anda a publicitar à grande os blogs que metam críticas sobre o filme, e aqui o estaminé bem que precisava de um puxão porque é mais que meio underground. depois, e o mais importante, porque este filme é um bom exemplo daquilo para que o cinema português pode e deve caminhar.
O nosso problema é relativamente simples: não temos um meio termo. Em portugal existe um cinema de classe mais europeia, mais arty representado por nomes como pedro costa, manoel de oliveira, joão césar monteiro entre outros. Esta classe existe em qualquer cinematografia do globo e é evidentemente bem-vinda. Mas obviamente que eu não espero que a maioria dos portugueses esteja para ver 4 horas de planos fixos com povo dos bairros à pobre como faz o pedro costa - eu não estou por exemplo.
Depois temos o dito cinema comercial. Que é basicamente uma merda. Filmes como o second life, o crime do padre amaro, a bomba ou o filme da treta são absolutamente horripilantes, dignos de um vómito prolongado. O filme da treta então é uma pena porque tem actores e argumentistas válidos que fizeram uma bosta de cão ali pró canto, adoptando apenas e só os tiques costumeiros daqueles personagens. O problema é que em portugal acha-se que piadas rasteiras, gajas nuas e uns tiros não sei onde chegam para fazer dinheiro.
No fundo tenta-se copiar aquilo que os americanos fazem mas com muito menos meios, e o resultado é um: póia. Não me interpretem mal, eu por vezes curto ver piadas rasteiras, gosto muito de gajas nuas e tou na boa com tiros, mas parece que só isso chega. A história cague-se nisso que o público não precisa de mais. Por exemplo se no crime do padre amaro a soraia chaves não aparecesse nua alguém ia ver o filme? talvez algumas babes. mas enfim.
O que nós precisamos é daquele tipo de filme que na américa existe bastante: filmes que soem despretensiosos, simples, bem feitos e com uma boa história. Este felizmente tem isso tudo. A bela e o paparazzo é mais um filme dos poucos realizadores portugueses que compreende esta necessidade no nosso cinema, e não se preocupa em poder levar açoites da classe onde está inserido.
O filme tem uma premissa simples: um tipo é fotógrafo de celebridades e apaixona-se por uma actriz de novelas que está mais que farta da sua intromissão na vida privada. Uma espécie de oposites attract à portuguesa e que obviamente vai desenvolvendo até chegar ao ponto importante que é aquela parte em que ah e tal ela descobre e fica fodida e beca beca, para depois tudo acabar em fogo de artifício. Este é obviamente um daqueles filmes em que mal sabemos qual é a premissa adivinhamos logo o final, mas diga-se que na maioria dos bons filmes é isso que acontece.
Obviamente que há mais que isto: o fotógrafo partilha a casa com dois amigos, um que trabalha num restaurante de sushi e outro que basicamente passa o dia a dormir no sofá a ver o pátio das cantigas, come pesto às 6 da manhã e tem uma ideia brilhante em declarar a independência do prédio onde eles moram, num tom declaradamente bairrista e sem medo de homenagear os clássicos cómicos portugueses tão maltratados que são - e que eu continuo a achar brilhantes(tenho pena que não tenham mostrado a cena da parede que dá vinho mas pronto).
Existem ainda outros caracteres interessantes seja o director da estação, o realizador larilas ou a excelente interpretação de maria joão luis como directora de revista do social. O filme consegue abordar um problema sério (a questão da privacidade e de como por vezes o feitiço se vira contra o feiticeiro) mas sem o intelectualizar muito, o que funcionou. Por isso é ver o protagonista joão inicialmente a utilizar a imagem de uma celebridade para ganhar uns trocos, e depois vê-se lixado com tudo quando alguém lhe liga para casa para ele falar num programa de tv.
Existem também uma data de planos interessantes sobre Lisboa, num claro interesse na cidade nas suas vistas e detalhes, embora por vezes soe meio forçada essa necessidade sobretudo com o casal protagonista a tirar fotos em tudo quanto é sítio à turista: não me parece que o melhor para uma actriz de novela em férias e a necessitar de fugir da rotina , seja andar no meio da cidade com o namorado novo mas pronto. Acho que a melhor homenagem à cidade que António Pedro Vasconcelos faz é naquele clima bairrista das assembleias do prédio,dos bailaricos, da vida comum de um qualquer bairro lisboeta com vida própria.
Quanto ao resto é naquela: existem defeitos até técnicos - alguns planos que ficam absurdamente desfocados e dói por vezes a vista em vê-los- mas é um filme simples, honesto, que cumpre aquilo que se propõe: dar aos espectadores uma comédia meio romântica com que eles se identifiquem facilmente. E infelizmente conto pelos dedos os filmes portugueses que consigam fazer isso depois do preto e branco.
dou sete choraias chaves nuas no crime do padre amaro em dez.
Há discos como este novo dos weezer. Não muitos mas existem. São aquele tipo de discos que, embora sejam facilmente acessíveis a qualquer ouvido, com toada agradável e tal, não entram no goto à primeira. não se percebem bem como nem porquê, mas a verdade é que acontece e nem vale a pena pensar muito nisso. O problema é se desconhecemos a banda em questão.
O que neste caso está muito longe de acontecer. O rock cathy, limpo é certo mas com uma certa toada baladeira desviante à bandas clássicas de rock dos 50 ou assim sempre foi a bitola dos nerds de los angeles. Os três discos homónimos (blue, green e red) são do caraças, o pinkerton é um disco até mais experimental diria, tendo em conta aquilo que são os weezer, e depois make believe e maladroit serão itens agradáveis mas não incontornáveis - embora precisasse de ouvir o maladroit decentemente.
Adiante. Raditude não é nada disto: ou melhor inicialmente soa a disco esquecível, feito às 3 pancadas, meio para despachar frango e posta de pescada. Depois um gajo dá-lhe uma segunda tentativa...e a coisa não muda. O que muda é a forma em como os weezer querem despachar a mercadoria - e isso é feito em grande estilo. São temas rápidos, concisos, que chegam depressa ao que se quer e entretanto acabam. è interessante perceber que à segunda audição do disco me ia lembrando dos temas à medida que os ouvia, algo que para mim é raríssimo se um disco não me puxa à primeira. Aconteceu praí com o we are frequency dos portugas aside e com o mr.beast dos mogwai. E agora.
A questão é que à segunda percebemos que todas estas canções ficam no ouvido de uma maneira incrível. (If you're wondering i want you to)i want you to, o single de apresentação é um dos grande exemplos, com uma letra clara que nem água, lata, divertimento e o rock meio polido meio desviante dos weezer. E temos outros temas como the girl got hot, let it all hang out por exemplo. e ainda os trejeitos meio exóticos de love is the answer. Se bem que a melhor é a "i can't stop partying" com um feeling meio hip-hop e com a participação do rapper lil wayne. Compreende-se o mood meio hip hop chunga à 50 cent com o rock à loser dos weezer e fica por aqui uma mistura cómica, irónica, contagiante diria quase que genial. E é isto.
Raditude não é de facto weezer vintage, mas é daquele tipo de disco que cai no goto à bruta e que acaba a ficar em alta rotação tanto no rádio ou no pc, ou na nossa mona. è o disco de rock simpático de 2009 e ideal para o verão de 2010 com certeza. Cómico, simpático, divertido, despretensioso. São óptimas canções que aqui prolifera. e por minha vontade os weezer andavam a despachar fruta e atum pelo menos uma vez por ano.